
O homem que ouvia estrelas
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
— Olavo Bilac
Havia um homem naquela cidade que buscava sempre os lugares mais altos e afastados. Depois de um dia cheio de trabalho, distrações e malcriações, ele subia morros, montanhas e prédios. Fosse onde fosse. Fosse como fosse…
Depois de um tempo, um menino miudinho, mas vivo no olhar e nas ideias, decidiu acompanhá-lo.
E, a partir daí, homem e menino subiam morros, montanhas e prédios toda noite.
Espia! Ouve com atenção… Sempre dizia o homem!
O menino, falante e curioso, também sempre perguntava o que é que as estrelas diziam!
Com o tempo, aprendendo com o velho homem, o menino passou a ouvir e entender.
E entendia de sonhos e memórias de outros tempos.
E entendia de pessoas, sentimentos e sensações.
E foi entendendo o porquê daquele homem, até então, viver só.
A gente precisa fugir do barulho e da confusão pra poder ouvir certas coisas que não dá pra ouvir lá embaixo.
E dizia sussurrando, quase que em uma oração.
E dias e noites e tempos distintos levaram o homem para lugares ainda mais longínquos. E o menino o seguia e crescia.
Até que o tempo, mandatário das coisas e das gentes, levou de forma definitiva o homem.
O menino estava só, mas não estava.
Dentro dele, as palavras do homem ressoavam, brilhavam, ressignificavam…
O menino aprendeu que só precisava ficar em silêncio pra pode ouvir estrelas.
E ouvir estrelas era a melhor coisa do mundo quando se tinha fome ou quando se sentia frio.
E ouvir estrelas era a melhor coisa do mundo para um homem que voltava a ser menino…























